Romance

Amantes (2008)

Avaliação: 4.5 de 5.

Não me lembro de ver Joaquin Phoenix num filme romântico tão bonito e classudo como esse “Amantes” (no original Two Lovers). O diretor James Gray (“Ad Astra – Rumo às Estrelas” e “Era Uma vez Nova York”) pega os clichês do gênero esconde-os e concentra-se no essencial: na sedutora descrição dos espaços (aquele terraço, aquele vento…), na importante apresentação das personagens, na intensidade de suas emoções.
Phoenix é o jovem e atormentado Leonard que regressa a casa dos pais (Isabella Rossellini e Moni Monoshov) após uma tentativa de por um ponto final na sua vida. Num ambiente simples e pacato, parece tão conformado quanto triste com o trabalho na lavanderia dos seus pais.
O seu espírito anima quando conhece duas mulheres muito diferentes e pertencentes a um mundo e a um contexto distinto uma da outra. Michelle (Gwyneth Paltrow) é a sua bela e misteriosa vizinha, que não poderia estar mais perto do bairro sombrio de Brighton Beach, onde Leonard vive com os seus pais. Sandra (Vinessa Shaw) é a atenciosa e simples filha do empresário suburbano que quer se associar ao negócio de lavanderia que os pais de Leonard têm.
O enredo é simples assim. Mas vejam só a classe como Gray registra os sonhos, as pequenas ilusões destas pessoas e os insere nos cenários. O tratamento da cor e as alternâncias interiores/exteriores e dia/noite, o peso de cada ação e cada gesto (uma certa  indolência inquieta de Joaquin Phoenix), a precisão na definição das personagens secundárias, a expressão do estatuto simbólico das duas moças (Paltrow, como uma “projeção”, a mulher que se vê da janela; e Shaw, mulher “real”, quase uma noiva de conveniência), o desenho dos espaços e o confronto de geografias (Brighton Beach e Manhattan).
É um grande filme. Sem um rasgo gratuito, nenhum gesto grandiloqüente. Simples, delicado e emocionante. Para os cinéfilos, imperdível.

Clique aqui pra você saber em que canais esse filme está disponível.

Hamilton Rosa Jr. é jornalista atuante há mais de 30 anos na mídia. Foi crítico de cinema na Folha da Tarde e Folha de S. Paulo, editor das revistas Ver Vídeo, DVD News e criador do blog Cinelog. Idealizou e dirigiu o programa de TV Mundo do Cinema. De 2005 pra cá, passou a direção de cena onde mantém-se em atividade rodando comerciais e filmes corporativos. Dirigiu quatro curtas: “Desencanto” (2016), “Sua Excelência” (2017), "Abelha Rainha" (2019) e "TRALA LAND" (2020). Tem três novos projetos em desenvolvimento para cinema e TV: o curta "ATRIZ", a ficção "A Máquina" e a comédia "Amores Perfeitos".

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