Aventura Comédia Terror

A pequena loja dos horrores de Sam Raimi

Em um estalo, a morta-viva salta do porão, como um palhaço de uma caixa de surpresas, e trucida uma vítima a dentadas; o demônio ganha visão subjetiva e, veloz como uma papa-léguas, circula uma cabana na floresta; a mão do herói ganha vida própria e os dois brigam como se estivessem numa comédia dos Três Patetas.  Qualquer amante do terror imediatamente identifica o diretor por trás destas três cenas e se entusiasma: é Sam Raimi. Mas a crítica, em geral, está longe de fazer a mesma festa. Reconhece Raimi como um diretor talentoso num gênero, o terror, e só. De fato, nos anos 1980, com a trilogia Evil Dead, Raimi trouxe uma nova energia cinética aos cinemas, elevando o terror a um novo paradigma. Sua câmera inquieta, voava, fazia tilts bruscos, pans vertiginosas, num clima brincalhão e alucinado, como se quisesse reproduzir a atmosfera de um trem fantasma.

Não só, a irreverência de Raimi rompe com as convenções de estilo. Seus filmes são capazes de produzir calafrios e serem irreverentes ao mesmo tempo; esbarram na tragédia, mas, no quadro seguinte, proporcionam um alívio cômico, são muitas vezes pontuados por um personagem em situação patética, querendo solucionar um problema, mas se enroscando cada vez mais nele. O conceito maravilhosamente se difunde, de Crimewave: Dois Heróis Trapalhões a Darkman: Vingança sem Rosto, de Um Plano Simples a Arraste-me para o Inferno. Desta sina nem um super-herói como o Homem-Aranha escapa. Ao contrário de toda a galeria de heróis de quadrinhos já adaptadas para o cinema, o criado por Raimi parte à cata de aventura, mas comete tantas patetadas – ironias de um destino, grande brincalhão – que às vezes parecemos estar mais próximo de um Jerry Lewis que de um super-herói. Raimi adora correr este tipo de risco, livra seus personagens das emoções programadas e os coloca numa condição falível, patética, o que tornam suas figuras mais intrigantes e complexas. Ele diverte-se em perceber como as reações dos espectadores podem ser diferentes. Afinal, como disse numa entrevista a Rebecca Mead na New Yorker, “se fossem iguais, que graça teria fazer filmes?”.

É sobre esse grande diretor que o CINELOG hoje rende homenagem. Qual o melhor filme de Sam Raimi pra você?

1 – Oz: Mágico e Poderoso

 2 – Arraste-me para o Inferno

 3 – Homem-Aranha 3

 4 – Homem-Aranha 2

 5 – Homem-Aranha

 6 – O Dom da Premonição

 7 – Um Plano Simples

 8 – Rápida e Mortal

 9 – Uma Noite Alucinante 3

10 – Darkman: Vingança sem Rosto

11 – Crimewave – Dois Heróis Bem Trapalhões

12 – Uma Noite Alucinante 2

13 – Evil Dead: A Morte do Demônio

Hamilton Rosa Jr. é jornalista atuante há mais de 30 anos na mídia. Foi crítico de cinema na Folha da Tarde e Folha de S. Paulo, editor das revistas Ver Vídeo, DVD News e criador do blog Cinelog. Idealizou e dirigiu o programa de TV Mundo do Cinema. De 2005 pra cá, passou a direção de cena onde mantém-se em atividade rodando comerciais e filmes corporativos. Dirigiu quatro curtas: “Desencanto” (2016), “Sua Excelência” (2017), "Abelha Rainha" (2019) e "TRALA LAND" (2020). Tem três novos projetos em desenvolvimento para cinema e TV: o curta "ATRIZ", a ficção "A Máquina" e a comédia "Amores Perfeitos".

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