A Face Oculta

Avaliação: 5 de 5.

One-Eyed Jacks, 1961

Marlon Brando só dirigiu um filme, que não fez nenhum favor à carreira dele. Para fazer  A Face Oculta, ele desrespeitou o cronograma, estourou o orçamento, brigou com meio mundo e, enfim, quando o filme estreou, houve indiferença comercial e as críticas foram mistas. Mas o tempo foi generoso com o filme e o lançamento de uma impressão restaurada em 2016 — pastoreada por admiradores como Martin Scorsese e Steven Spielberg —confirmou o que os partidários do filme haviam discutido: Brando sabia o que estava fazendo atrás das câmeras. Scorsese descreveu o filme como “um brilhante exercício híbrido, que construiu uma ponte entre duas eras no cinema: usando os valores de produção da velha Hollywood e os valores emocionais da nova Hollywood”, um resumo adequado de um western de aparência clássica ancorado pela performance torturada de Brando como Rio, um fora-da-lei determinado a se vingar de um parceiro mais velho que ele chama de pai (Karl Malden). Esse patriarc, outrora um ladrão de bancos, torna-se  um respeitável homem da lei, e complica o plano de vingança de Rio, quando este se apaixona pela enteada do papai (Pina Pellicer). A produção foi dominada por histórias como a de Brando esperando as ondas certas aparecerem para uma cena, mas o filme em si mostra seus instintos. Às vezes você só tem que esperar pela onda certa para sugerir as emoções agitadas de um cara mau tentando decidir se ele quer seguir seus instintos para fins destrutivos.