Caçada Humana

Avaliação: 4 de 5.

From Hell to Texas, 1958

Acredita-se que Tod Lohman (Don Murray) tenha causado a morte de um membro da temida família Boyd. Ele é um cowboy honesto, mas está plenamente ciente de que caras durões atiram primeiro e fazem perguntas depois. Com isso em mente, ele foge para o sul na esperança de salvar sua pele. Em suas viagens ele conhece e faz amizade com Amos Bradley (Chill Wills) e sua filha adotiva, Juanita (Diane Varsi), é uma reunião que detém a chave para o futuro de Tod.

Henry Hathaway dirige este, e a primeira coisa que chama a atenção é como ele organiza a história de seu cowboy em torno de uma errância. Por toda parte Tod Lohman é um forasteiro, e ele não se ajusta. E aqui como em Nevada Smith ou em Bravura Indômita torcemos para esse homem solitário não afundar, seguimos seus passos com ternura. Há uma simpatia profunda pelos perdedores, os pequenos homens devorados ou rejeitados por um mundo violento e sem piedade que é comovente.

Os faroestes de Hathaway sempre foram assim. Não alcançam o mesmo patamar de um Ford ou um Hawks, mas seus altos padrões morais se comparam ao melhor que Henry King ou Delmer Daves proporcionaram. A primeira vista, “Caçada Humana” parece fazer um apelo contra o senso deformado de justiça de um tempo e um lugar, onde as razões eram sacramentadas pelo poder do barão do gado.

Mas o filme abrange bem mais que isso. Embora um atirador de elite, o personagem de Don Murray não passa de um garoto ingênuo. As cenas à beira do rio são reveladoras: ele é tímido e puritano, e anda como guia, com uma bíblia e a fotografia de sua mãe. Na verdade, ele chegou naquelas planícies, porque está em busca do pai. Em sua cabeça toma forma, no fundo, a dúvida se ele irá encontrar mesmo esse homem um dia. Mas em seu caminho, ele tromba com dois homens mais velhos que dão um significado para esse resgate. É realmente incrível o quanto um destes patriarcas, Amos Bradley, sente a fraqueza do herói e como ele decide protegê-lo.

Mas o outro pai, Hunter Boyd (R.G. Armstrong), será seu inimigo. Hunter acha que Tod foi o responsável pela morte de seu filho caçula. O roteiro evita inteligentemente os eventos que levaram à perseguição. E não cai no maniqueísmo fácil. Hathaway pinta o modo de vida desses homens do Oeste, seus hábitos (com uma precisão documental notável). E, sobretudo, pinta o que eles são para além das aparências, como são em profundidade (contribui para isso o desempenho do elenco, de Don Murray, a Chill Will, de R. G. Armstrong a um bem jovem Dennis Hopper).

Por um lado, Tod tenta encontrar um lugar que ele possa chamar de lar (“você também não gosta de solidão, não é”, ele diz a um cavalo), em outro um pai cego que destrói sua família por causa de um equivocado senso de justiça.
O filme se estrutura pela reconstrução de uma família, em paralelo, com a quase destruição de outra. E Hathaway fecha essa intriga com uma simetria de rigor matemático.