Cavalo de Ferro

Avaliação: 3 de 5.

The Iron Horse, 1924

Como pintor de uma realidade que está ao seu alcance em 1924, o diretor John Ford abraçou a proposta da Fox de fazer “Cavalo de Ferro”, um épico que seria a resposta do estúdio ao sucesso conquistado pela Paramount um ano antes com “Os Bandeirantes” (The Covered Wagon). Ford usava praticamente toda a extensão do imenso rancho de Newhall para montar uma réplica da primeira ferrovia transcontinental dos EUA. No desenrolar da trama vemos um filme de cenas suntuosas. Nos bastidores, o projeto parece um empreendimento  de engenharia. O realizador orquestrou o movimento de cinco mil extras na construção de duas cidades inteiras – muitos descendentes dos legítimos imigrantes que participaram da verdadeira estrada de ferro -, contratou mais cem cozinheiros para alimentar a equipe, um regimento de cavalaria, 800 índios, dois mil cavalos e 1 mil e 300 búfalos. E resgatou as locomotivas “Jupiter” e a “116”, para reproduzir uma cena clássica: a foto da confraternização de operários do Leste e do Oeste em volta das máquinas tirada em 10 de maio de 1869 em Promontory Point.  As filmagens se estenderam por três meses.

O filme, estrelado por George O’Brien, tem um visual magnífico e uma estrutura épica. O modo como Ford trata os personagens, a forma como tece o painel social superpondo histórias paralelas demonstram sua maestria. Mas apesar do sucesso, “Cavalo de Ferro” serviu a Ford apenas como experiência na administração e controle de produção. O filme é cheio de superlativos, como os de Cecil B. DeMille, mas de todos os westerns que Ford rodou, talvez esse seja o menos surpreendente.

Serviu, contudo, para projetá-lo como grande diretor de Hollywood e a partir disso só lhe restava rever os acertos e erros, para em seguida embarcar num projeto mais pessoal.