Desencanto

Curta metragem digital – Noir – 2016 – P&B

Teaser – Desencanto

Sinopse:

Túlio é um detetive imerso em um mundo de crime, fumaça e sombras. Um dia, ele relembra de uma cliente, e ela sai do meio da fumaça, como num sonho, para se transformar numa mulher, uma paixão que não deveria importar, mas que tornou-se muito concreta para o
detetive.

Ficha Técnica

Direção, Roteiro e Produção: Hamilton Rosa Jr.
Ass. Direção e Produção: Fernanda Paixão
Produção Executiva: Leandra Aiedo, Miguel Rodrigues
Direção de fotografia: Miguel Rodrigues
Elenco: Mário Möhrle Nelly Trindade Carmen Luiza Moura
Participação Especial: José Ornellas Adriano Arbol Felipe Rosa Anderson dos Santos Swara Sampaio
Edição: Hamilton Rosa Jr. e Guilherme Pedroso
Finalização: Carlos Andres Medina
Áudio: Carlos Martines


Palavra do Diretor

A ideia original:

“Na ocasião eu estava lendo o “Amor Líquido”, de Zygmunt Bauman e, por acaso, vendo um ciclo noir, com filmes do Welles, Mann, Ulmer e Lewis. Bauman fala de um mundo onde a materialidade das relações escorre das nossas mãos e eu pensei que poderia traduzir cinematograficamente essa angústia usando os elementos do Noir, o jogo de luzes e sombras e a atmosfera esfumaçada. Inicialmente nem pensava em transformá-lo em filme, mas num estudo experimental feito no Núcleo de Cinema do Studio Take a Take. Na escrita, o primeiro nome que me veio a cabeça foi “Volátil” e, a cena em si, passava-se exclusivamente numa sala de massagem. Havia apenas duas personagens, a massagista e a cliente, e a intenção era trabalhar o jogo de atração e sensualidade que havia implícito entre as duas.

Acontece que elas referiam-se a um terceiro personagem, um detetive, que só se materializava pelas falas. A “presença” desse detetive foi ficando tão forte nos ensaios, que decidi expandir a trama.

Influência colonizada?

Alguns podem sugerir que essa imaginação se manifesta de forma pobre em Desencanto, reafirmando que o filme reproduz uma visão colonizada. Concordo com a influência, mas não com a classificação de pobreza do sonho. Somos colonizados culturalmente por Hollywood há 100 anos e isso é uma constatação, não uma aceitação. O filme flerta com uma tradição tipicamente norte-americana, o Film Noir, mas, na sua essência, Desencanto representa quem eu sou. Talvez o cinema não possa solucionar instantaneamente a aspereza da vida, mas acho o estado de contemplação dos eventos apresentados bem reveladores. O Brasil é um país que esconde suas verdades, por trás de muitas mentiras. Parece uma piada, mas é bem legitimo esse raciocínio. Oras, se vivemos neste mundo de fabulação, porque temos que esconder a parte do sonho que a gente repudia?

Os cineastas italianos fizeram isso por décadas no western e no terror, então por que não podemos?

Desencanto traduz esse meu anseio, criando uma narrativa cinematográfica intimista e pura.

Um amigo achou impressionante que a concretude do filme existe na tela, mas ela não tem a mesma graça se contada numa conversa. Não adequa-se também como escrita. Tem que ver na tela. Desencanto só se justifica como cinema.

Hamilton Rosa Jr.