Django

Avaliação: 4 de 5.

Django (1966)

Sem dúvida o mais influente Spaghetti Western não dirigido por Sergio Leone, Django alça a estilização e a violência do gênero a um patamar inquietante. Um homem que atravessa um pântano carregando um caixão, em princípio, deixa a impressão de que vamos acompanhar a história de um sujeito cumprindo penitência. Ele é Django (Franco Nero) o ex-soldado do norte que caminha vagarosamente pelos escombros de cidades destruídas pela guerra no Sul de um Estados Unidos, que sabemos ser fictício.

O cineasta Sergio Corbucci imagina uma América formada por uma milícia de mascarados que usam como símbolo de sua luta a cor vermelha! Essa Ku Klux Klan rubra invade, pilha e não encontra resistência, isso até eles esbarrarem no tal Django. Ao medir forças com o inimigo, Django abre aquele caixão, que é uma verdadeira Caixa de Pandora, pois não deixará um oponente de pé.

A escala de matança é absurda e o filme é cheio de ironias (Django não só massacra um grande contingente, ele acaba com a clientela das prostitutas e força a cidade a abrir um novo cemitério). Corbucci — que também contribuiu com experimentos memoráveis como Navajo Joe e O Grande Silêncio ao Cânone do Espaguete — é detalhista na direção como Leone, mas sem o lirismo. Ele coloca a ênfase diretamente na sanguinolência e no exagero. Sua abordagem, e a performance de Nero, servem bem a história magra, malvada e suja. O filme gerou muitos imitadores que encontraram diferentes graus de sucesso combinando um herói misterioso com violência cada vez maior. O original, no entanto, continua insuperável.