Dragões da Violência

Avaliação: 4.5 de 5.

Forty Guns (1957)

O diretor Samuel Fuller adorava grandes emoções e imagens chocantes. Dragões da Violência une essas duas paixões, colocando um ex-pistoleiro chamado Griff (Barry Sullivan) como xerife contra um proprietário local que detém o poder controlando um quadro de homens, as 40 armas do título. É uma configuração clássica do gênero complicada pelo proprietário ser a bela Jessica Drummond (Barbara Stanwyck), que inflama a missão de Griff.

Fuller enche o filme com drama acalorado e florescimentos ousados – como uma mesa de jantar onde Jessica divide uma refeição com todos os 40 pistoleiros – bem como uma conversa profundamente freudiana, onde ela pergunta se pode tocar a arma de Griff, e ele a adverte, que sua pistola pode explodir na cara dela. Fãs de filmes ocidentais mais tradicionais vindos de grandes, mas castas obras como Paixão de Bravos ou mais contemporâneos como Silverado encontrarão suas expectativas seriamente desafiadas.
Os faroestes dos anos 60 e 70 muitas vezes foram inovadores, examinando questões sociais profundas, principalmente o racismo, mas é curioso como nenhum foi tão ousado quanto esse filme de Fuller, pela maneira incomum como examina a sexualidade. Aliás, as pós-feminista não ficarão entusiasmadas com o duelo um tanto violento e seco que Fuller nos reserva. Mas, dada a cena anterior bastante surpreendente, o final (que não estou dando o spoiler, mas estou frisando, porque é sensacional) é totalmente consistente com a estranheza inata do filme, e sua mensagem aparente: o amor pode ser superestimado e no Velho Oeste deve ser evitado sempre que possível.