Dragões da Violência

Avaliação: 4 de 5.

Forty Guns, 1957

Barbara Stanwick personifica o poder dos barões do gado em “Dragões da Violência”, um western dos mais sórdidos concebidos por Samuel Fuller. Barbara é a proprietária de um vasto território ao redor de Tombstone com alta influência sobre política e a lei na cidade e que como tal se equilibra na corda bamba entre a ordem e a criminalidade. Quando se apaixona por Griff Bonnell (Barry Sullivan), o implacável xerife que promete esvaziar as poças de corrupção regional, os dias de felicidade da tirana estão contados. Ela tenta preservar sua reputação, ao proteger o irmão da pontaria do xerife, usando o próprio peito como escudo. Nessa passagem, uma das mais cruéis já concebidas para o cinema, Griff atira na mulher, alveja o irmão dela, depois se aproxima dos dois corpos e vocifera: “Chamem um médico, ela está viva”!.

Em “Dragões da Violência”, a moral é apenas um subterfúgio criado pelo homem para esconder sua verdadeira forma primata. E nem mesmo uma vamp é capaz de derrubar esse gorila. Fuller transcende os propósitos do filme “B”. Seu cinema não faz defesas. É direto e seco, mas seus personagens reagem como se estivessem num caldeirão de ácido.