Elle (2016)

Avaliação: 5 de 5.

Taí um filme que tem a força de um verdadeiro terremoto. Michelle LeBlanc (Isabelle Huppert) é a mulher de negócios bem-sucedida, implacável e castradora. É sócia numa empresa desenvolvedora de videogames violentos (não por acaso, sua última encomenda é protagonizada por uma mulher que enfrenta um monstro babão, carnívoro e estuprador). Pois um dia um mascarado invade a casa de Michelle para violenta-la. Para o público, talvez, mais perturbador do que a violência, é a reação posterior da personagem. Ela conta o crime ao ex-marido e a sócia sem um mínimo sinal de abalo.

O filme é baseado num romance de Philippe Djian de título sugestivo, “Oh…”. E esse mínimo “Oh…” traz conotações que reverberam cada hora de um modo. “Oh…”, de dor, angústia e vazio, “Oh…”, de deflação, decepção, “Oh…”, de fingimento, “Oh…” de intenso orgasmo.

Essas variações de sentidos são maravilhosamente trabalhadas por Paul Verhoeven, às vezes com efeitos cômicos, outras vezes com efeitos assustadores.

Em certo ponto é uma volta do diretor ao que ele demonstrou em Instinto Selvagem. Ali o poder feminino era retratado com uma certa indulgência barata, bem como a cabeça dos homens cada vez mais primária em relação a sexualidade. Lá era uma sátira, aqui é uma tragicomédia. As contradições, enfim, tornam-se mais profundas e agudas.

Não se trata de um filme destinado a ocupar um lugar estável na cabeça do espectador, mas é isso que Paul Verhoeven faz cada vez melhor com a gente.

Vale ver e rever.

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