Era Uma Vez no Oeste

Avaliação: 5 de 5.

Once Upon a Time in West (1968)

Após completar a trilogia dos Dólares, Sergio Leone retornou ao gênero com um renovado senso de ambição, distorcendo uma história épica de ganância e vingança maior do que qualquer coisa que ele havia tentado antes. Tudo é grandioso neste afresco, até mesmo a escala dos interiores, as casas de fazenda e o saloon chegam a ser maiores por dentro do que por fora.

Charles Bronson interpreta um pistoleiro misterioso que se expressa mais por uma gaita do que propriamente pela fala. Ele chega a uma cidadezinha de fim de mundo procurando um acerto de contas, enquanto do outro lado da cidade, uma mulher recém-casada, chega à estação para se apresentar á família do marido e, surpreendentemente descobre que eles acabaram de ser todos assassinados pela quadrilha de Frank (Henry Fonda).

Sem perder sua marca registrada de humor, Leone casa a bravata estilística dos filmes antecessores a um sentimento trágico, focando nos sacrifícios de homens e mulheres de lutar pela terra e pela água e no que se perde à medida que a história avança. Ele também traz um senso de paciência, deixando a história acontecer em um ritmo lento, dando espaço para Claudia Cardinale e Jason Robards desenvolverem personagens memoráveis e Ennio Morricone compor uma trilha marcante. É audacioso, também, lançar Fonda não apenas como um cara mau, mas um sádico, e pontuar o filme com três cenas de duelos antológicos. É a obra-prima de Leone, o filme em que ele embalou tudo o que queria dizer sobre o Oeste e seus mitos.