Flechas da Vingança

Apache Drums, 1951

Avaliação: 4 de 5.

Esse faroeste de orçamento esquelético tem uma atmosfera assombrosa, graças principalmente ao talento do diretor argentino Hugo Fregonese, e um uso tão criativo do Technicolor que deveria estar na lista de todo crítico como um dos melhores westerns dos anos 50. Bertrand Tavernier saúda o filme como um das obras-primas desconhecidas do gênero, e realmente não há como discordar. Fregonese conta com o auxilia de Val Lewton (o criador de “Sangue de Pantera”, “A Morta-Viva” entre outros) na produção, para com um mínimo de cenários (gravado no quintal dos Estúdios da Universal) transformar cobre em ouro.
Em 1880, o notório jogador Sam Leeds (Stephen McNally) mata outro jogador numa briga, e é expulso de Spanish Boot, uma próspera cidade mineira, mas depois de tropeçar em uma diligência de mortos, volta para alertar os habitantes da cidade sobre um ataque iminente dos apaches mescaleros. Quando estes cercam a cidade, todos os habitantes, se escondem na igreja e tentam se defender da entrada dos índios através das janelas altas. A partir do momento em que as portas são trancadas, todo o restante do filme (cerca de 25 minutos) discorre do ponto de vista interno. Tal situação se presta a há momentos angustiantes enquanto os defensores tropeçam na escuridão e lutam por velas para que possam ver os índios quando estes atacam.
Fregonese e Lewton (que morreu aos 46 anos pouco antes do lançamento do filme) arquitetaram essa trama (baseada no livro “Stand at Spanish Boot”, de Harry Brown), descrevendo os apaches como um terror espectral cuja presença invisível é sentida gradativamente por batidas sinistras até culminar com a longa cena da emboscada na Igreja – e o cinegrafista Charles P. Boyle, muito inteligente, usa piscinas de cores iridescentes para aumentar o efeito dramático nos interiores à luz de velas.
O resultado é sensacional.