Minha Vontade é Lei

Avaliação: 4.5 de 5.

Warlock, 1959

A sugestão permeia ainda as entrelinhas de “Minha Vontade é Lei”. Os pistoleiros Clay Blaisdell (Henry Fonda) e Tom Morgan (Anthony Quinn) são invulneráveis como semideus, mas a sexualidade é o calcanhar de Àquiles da dupla. No instante em que o pó dos tiroteios baixa na cidade de Warlock, o ás do gatilho Blaisdell (Fonda) exerce seu charme implacável de escorpião sobre a dançarina Dorothy Malone, e deixa o amigo com ciúmes. Morgan cobra um senso de lealdade do outro, quando na verdade é da falta de respeito pela “amizade” que ele quer reclamar.

Ultrajado, Morgan decide defender sua moral travando um duelo com o companheiro. Para o diretor Edward Dmytryk – comunista, que amargou por toda a vida o remorso de ter delatado companheiros na era macartista – Morgan (brilhantemente vivido por Quinn) faz parte de uma fragilidade que Hollywood tenta ignorar. O tema não é nada confortável para Dmytryk, mas ele assume “Minha Vontade é Lei” como parte de seu calvário. Nos anos 50, os americanos compartilhavam a crença de que o sonho americano estava se realizando, após a vitória na Segunda Guerra e com a perseguição macartista, que era visto por muitos como uma arrumação doméstica. O homossexualismo também era inadequado para o governo moralizador de Eisenhower e o comportamento do pistoleiro de “Minha Vontade é Lei” parecia se enquadrar a esse grupo. A lei de Warlock oferece duas opções a Morgan: o exílio ou a cadeia. Dmytryk mantém o impasse deste pistoleiro até a cena final.