O Jardim do Pecado

Avaliação: 5 de 5.

Garden of Evil, 1954

O puritanismo anglo-saxão prova o sabor do fruto proibido nesse encantador western de Henry Hathaway. A obstinação de Susan Hayward em resgatar o marido soterrado numa mina de ouro, leva-a a pedir socorro num saloon mexicano, fachada para um covil de assassinos. Ela desperta o instinto protetor de quatro homens de índole duvidosa Gary Cooper, Richard Widmark, Cameron Mitchell e o mexicano Víctor Manuel Mendoza. O quarteto aceita a missão em troca de uma quantia que, em princípio, parece muito promissora, mas esse valor se dilui rapidamente, à medida em que enfrentam os perigos de uma montanha à margem de precipício, de uma floresta sagrada, onde os apaches silenciosamente começam a cercá-los e, enfim, de uma cidade em ruínas á beira de um vulcão.

O grupo cumpre a missão, resgata o marido da bela preso dentro da mina, mas aquele vulcão adormecido parece afetar psicologicamente aqueles homens, inclusive o próprio marido que parece enlouquecido. Segundo o folclore, o local enfeitiça; corrompe a alma. E assim as noções de heroísmo, lealdade, traição e ganância serão todas colocadas em cheque naquele Jardim do Pecado.

O roteiro de Charles Brackett (colaborador de Billy Wilder) se atém mais ao psicológico dessa jornada, repleta de sugestões que alimentam a imaginação, e Hathaway aproveita o Cinemascope de forma muito inteligente. Ele usa os cenários nos desertos vulcânicos e selvas de bananas do centro do México, para criar um sentido sensorial incomum, quando não, uma poesia pictórica. As trucagens de matte paintings dos precipícios ao fundo e novamente nas sequências da “mina de ouro” lembram fortemente as pinturas de Frederick Churchward. A vasta partitura musical de Bernand Herman (compositor preferido de Hitchcock) estabelece uma atmosfera épica.

Há ainda uma luta impressionante entre Mitchell e Cooper onde Mitchell é repetidamente jogado no fogo, a angustiante presença dos apaches, que na maior parte do filme fica no extracampo, e alguns diálogos maravilhosos, como o de Richard Widmark olhando para o poente e se despedindo com comoção de Gary Cooper: “Toda noite o sol se põe, e sempre leva alguém com ele. Hoje à noite sou eu. E que lástima: Se a terra fosse feita de ouro, os homens matariam por um punhado de poeira”.

Este filme deveria figurar em qualquer lista dos melhores westerns de todos os tempos.