O Ouro da Discórdia

(Carson City, 1948)

Avaliação: 3 de 5.

Michael Curtiz foi contratado para fazer o western mais colorido de todos os tempos usando o novo processo Warnercolor, ele se irritou com os figurinos fosforescentes e a direção de arte berrante e o diretor André De Toth o substituiu usando muita diplomacia. Como era impossível convencer o dono do Estúdio, Jack Warner, que um western tem uma paleta de cores menos contrastante, De Toth deu de ombros, e tratou o filme como se fosse um desfile kitsch carnavalesco. Sim aqui os cavalos são vermelhos, os bandidos andam de verde, o vilão de marrom, a mocinha Lucille Norman abusa de toda a escala de cores em seus vestidos e Randolph Scott ganha seu próprio terno cinza no início, indicando que ele é um homem de sucesso (em sua carreira de engenheiro). Mas o cinza dele não parece tão puro e tão elegante quanto os ternos dos banqueiros.

O filme é quase uma celebração do nonsense (à certa altura um personagem chega ao cúmulo de olhar a vegetação multicolorida e perguntar se, por acaso, o chão foi pintado).

Um bando de ladrões de diligências apoiados pelo grandalhão Raymond Massey roubam os carregamentos de ouro que saem das minas de Carson City. E eles são chamados de a quadrilha do “champagne”, porque enquanto fazem o serviço, oferecem um piquenique regado a geleias, pão e champagne para os passageiros não atrapalharem. E eles realmente atacam as guloseimas e não incomodam!

Convencido de que a única maneira de transportar o ouro com segurança é por via férrea, o dono da mina contrata o engenheiro durão Randolph Scott para construir a ferrovia de Carson City para Virginia City.

Há uma subtrama, um triângulo amoroso com Scott, seu irmão, e Lucille Norman, bem clichê, mas De Toth tem a noção de timing perfeita pra acelerar esses entrechos e partir pro que interessa. A cota de ação é alta, com pedras explodindo, carroça se equilibrando sobre um penhasco, roubo de trem, brigas de saloon e o melhor, um deslizamento de terra com resgate espetacular.

Personalista, De Toth, não só demonstrava habilidade para criar cenas eletrizantes, mas buscava engenhocas tecnológicas peculiares que não se via nos westerns de mais ninguém. Em  “Renegado Heróico” (1952) apresentou um novo tipo de arma. Aqui ele traz um novo tipo de broca para Scott abrir caminho numa montanha, construindo um túnel para a linha férrea.