Oz, Mágico e Poderoso

Avaliação: 3.5 de 5.

Oz, The Great and the Powerful, 2013

Depois de Arraste-me para o Inferno, Sam Raimi se atira em mais uma encomenda de Hollywood, neste caso dos Estúdios do pai do Mickey, e o projeto parece loucura: voltar a história do Mágico de Oz, que deu num clássico incontestável, e mais pretensioso ainda, retomar o fio antes da história do Mágico. Ou seja, fazer um “Oz, A Origem”.

Em princípio, sabe-se que Raimi recuou, mas depois voltou atrás. Afinal, como sempre foi um diretor que anda de mãos dadas com o excêntrico, o que lhe custaria se aventurar no reino de Oz?

A abertura é promissora: começa como uma aventura em preto e branco, num mundo difuso, que parece que perdeu sua fé na aventura e na imaginação. O próprio mágico Oscar Diggs (James Franco) não acredita em mágica. A arte da prestidigitação não tem nenhuma beleza para ele, o que interessa sim é a arte da farsa, da enganação. Nisso, se acha o máximo. Mas logo vamos ver que nem como golpista ele é competente. Antes de ser preso ou linchado, um providencial furacão o levará da cidade.

Então a tela se amplia quando ele chega em outra dimensão, ganhando cores, a ponto de deixar o personagem diminuto. E o que temos é o trabalho de um diretor que está em busca de uma vivacidade pela cor. O reino aqui preserva o verde, azul e dourado. O verde da cidade das esmeraldas, o dourado da estrada de tijolinhos, o azul de um céu de seus sonhos. A atitude aqui é: “Vamos… mas vamos para onde?”

Pena que frente a tantas possibilidades de aventura para viver, o longafique no impasse. É muito estático para funcionar como filme de aventura, muito sacana para criar qualquer afinidade com as crianças, e muito solenepara criar empatia com o espectador. O roteiro de David Lindsay-Abaire (egresso da Broadway) e Mitchell Kapner (da comédia Meu Vizinho Mafioso) é até bem armado. A história tenta fugir dos clichês, mas não consegue escapar do tom sisudo e nem dos efeitos visuais, a todo tempo brigando com os atores pela atenção. Há incêndio em todos os departamentos e Raimi se desdobra para apagá-los em todos os setores. Tenta inclusive, quebrar a seriedade da trama, inserindo leveza e humor, leveza pela personagem da boneca de porcelana, humor, pelo personagem do macaco voador. Eles deviam ter mais tempo em cena, porque são suas intervenções que dão fôlego à narrativa.

Percebe-se inclusive uma ambição desmedida na história, os roteiristas querem transcender a própria questão do bem e do mal. É a melhor parte do filme: aqui os lados se alternam e as simpatias do espectador junto com a do diretor vão de um lado para o outro. Os cidadãos de Oz são trabalhadores esforçados, mas com uma inocência tola e imprudente. E as criaturas mágicas de repente viram monstros. Essa luta alegórica não pode ser resolvida com uma vitória clara para qualquer um dos lados.

As três bruxas são interpretadas por três atrizes potenciais. Milla Kunis, Rachel Weisz e Michelle Williams. Mas das três sobressai-se apenas o  trabalho de Milla Kunis como Theodora. Ela é a bela feiticeira que cai na lábia do malandro Oscar e depois, desenganada, deixa o ódio queimá-la de dentro para fora.

Por fim, a piada mais excêntrica do filme: com seu lado golpista, Oscar inventa uma engenhoca, um truque com o qual pretende enganar as bruxas. Essa engenhoca, nada mais é que um projetor de cinema!

Raimi dignamente cumpre o contrato aqui, mas cai na mesma armadilha do gigantismo que marcou Homem-Aranha 3. E se o gigante não tomba, é por conta do talento do diretor.

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