Sete Homens Sem Destino (1956)

Avaliação: 5 de 5.

Este é o primeiro de uma série de sete faroestes fascinantes, modestos e de baixo orçamento com Randolph Scott. Dos sete, acho dois deles soberbos: O Resgate de um Bandoleiro e O Homem Que Luta Só, mas Sete Homens Sem Destino é realmente o meu favorito. Como Andrew Sarris astutamente observou: “Construído em parte como odisseias alegóricas e em parte como jogos flutuantes de pôquer em que cada personagem se revezava em blefar sobre sua mão ou sua escolha até o confronto final, os faroestes de Boetticher expressavam uma serenidade cansada e certeza moral que é contrária às abordagens mais neuróticas de outros diretores neste gênero negligenciado do cinema”.

Desde a impressionante sequência de abertura de Scott vindo de trás da câmera entrando em um abrigo rochoso até a cena final de Gail Russell assistindo Scott deixando a cidade, Sete Homens Sem Destino é talvez o mais emocionante e impecavelmente conciso faroeste norte-americano já feito.

O estoicismo de Scott serve bem aqui enquanto ele interpreta um ex-xerife assombrado pelos fantasmas de seu passado – ao recusar a se manter como xerife, sua situação financeira se complicou e a mulher foi trabalhar na Wells Fargo, quando houve um assalto e um dos sete homens da quadrilha a matou. O filme se beneficia muito da notável presença de Lee Marvin como um velho inimigo que pode querer mais uma chance contra o ex-xerife que o aprisionou no passado, e que até ajuda o protagonista em sua busca, aguardando o momento do acerto de contas.

O diálogo escrito por Burt Kennedy nunca foi tão afiado e cheio de malícia e sugestões. A maior delas, envolvendo o casal de pioneiros Walter Reed e Gail Russell, que Scott auxilia e protege. Marvin percebe a tensão sexual entre a mulher casada e o protagonista, e sempre que tem a chance faz insinuações, criando constrangimentos.

E Boetticher é um mestre da direção: ele amplia a escala da ironia dos diálogos de Kennedy e usa habilmente a vasta paisagem isolada para comentar sobre o isolamento e a armadilha dos personagens. Cada confronto com seus sete alvos são bem articulados e o duelo final entre Scott e Marvin é antológico.

O filme foi produzido pela Batjac, produtora de John Wayne. O duque não podia estrelar porque estava filmando o clássico Rastros de Ódio, com John Ford. Gail Russell foi escalada porque era amiga do Wayne – eles contracenaram juntos em O Anjo e o Malvado (1947). Ela não trabalhava há cinco anos devido às suas lutas contra o alcoolismo. Wayne esperava que isso pudesse ajudá-la a uma nova retomada de sua vida. Infelizmente, não aconteceu. Ela fez apenas mais dois filmes e algumas aparições na televisão antes de morrer em 1961, aos 36 anos, de danos no fígado devido aos seus anos de abuso de álcool. Triste fim para uma atriz bela e adorável.