Trala Land

Curta metragem digital – Drama – 2020 – Cor


Sinopse:

Um casal se separa, o marido visita um psicanalista, pessoas andam pela rua imersos em seus celulares. Os três fatos interligam-se graças sempre a esse pequeno e modesto aparelho, um dispositivo que parece trazer todo mundo para uma zona de conforto.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Hamilton Rosa Junior
Direção de Fotografia e Produção: Toni Ferreira
Câmera: Carlos Garcia e Toni Ferreira
Edição: Mary Kuhn Hamilton Rosa Jr. Flávio Carnielli
Elenco: Hélcio Henriques, Cláudia Menezes, Sérgio Vergílio, Luciane Aranha, Inês Fabiana, Ramiro Lopes.
Realização: Rush Vídeo


Palavra do Diretor

Trala Land é o projeto mais pessoal que fiz em cinema até agora. Brinquei com a narrativa, desconstruí a ideia de direção de arte em favor do ator, inventei uma protagonista que no filme inteiro só tem uma fala, experimentei sonoridades e flertei com o mistério. Independente se gostem ou não da experiência, foi de propósito. Correr riscos, indo contra a atual ditadura do formato narrativo e contra a ditadura de um padrão de beleza. Amo Trala Land
porque ele assume o que o país se tornou: uma farsa. Uma comédia sinistra, medonha e crua.

Trala Land define o que é o Brasil de hoje. Uma piada sem graça. Esqueça as estrofes que Jorge Benjor canta alegremente: “Moro, num país tropical, abençoado por Deus…”

Tudo mentira. Esse Brasil festeiro, da malandragem faceira não existe. Vivemos numa nação campeã do feminicídio e de abusos contra transexuais e outras minorias. A elite brasileira é desonesta e perversa, a classe média é conservadora, sexista e facilmente manipulada, e o triste é que uma parte significativa da classe menos privilegiada aceita esse cenário e continua caminhando como um rebanho sorridente.
Existe um grupo alternativo? Sim, mas essa parcela bem numerosa, não se organiza com a eloquência e força necessária. E pra aproveitar, o governo oficial usa os meios de comunicação para construir a narrativa de que esses grupos opositores são violentos e, por isso, devem ser criminalizados.

Estamos num dos países mais corruptos do mundo. Somos devassos e malvados e descobrimos que podemos esconder nossa feiura num lugar. O celular é uma ótima zona de conforto pra nos ocultarmos. Ele pré-fabrica a realidade, cria a direção de arte de uma verdade falsa e exibimos esse faz-de-conta na avenida como carro alegórico.

Esse povo que escolheu o atual presidente do Brasil contenta-se em viver num universo alternativo, excluindo de seu cotidiano qualquer elemento que destrua o seu bem estar. E o dispositivo que lhe assegura dentro dessa zona de conforto é o celular. Aliás, esse aparelho foi essencial para construir um raciocínio e eleger a tal figura.

Ao longo do filme, tentei demonstrar como essas pessoas, que se acham privilegiadas, escapam dessa realidade forjando situações irreais. E, neste quadro, a máquina de pacificação sempre está lá, em punho, criando a direção de arte de uma falsa verdade.

Ninguém no filme escapa desta terra da imaginação. A alienação é legítima e é capaz de demolir um país.

Adoraria estar errado a respeito, mas basta se dirigir à janela para ver o rebanho de zumbis andando com suas maquininhas. Eles estão por toda parte”.

Hamilton Rosa Jr.