Um Homem Difícil de Matar

Avaliação: 4.5 de 5.

Monte Walsh, 1970

Interessante neste western dos anos 70 é notar como as leis do gênero sofreram tantas transformações. Já é possível inclusive sentir a influência dos faroestes italianos na forma como o diretor William Fraker recria a ambientação. O espírito de mudança e desilusão lembra “Era Uma Vez no Oeste”, de Sergio Leone. Lee Marvin é o velho Monte Walsh, o cowboy que retorna das pradarias para encontrar um mundo ao qual ele não se reconhece. Sua falta de encaixe, leva-o desesperadamente ao bordel da velha prostituta (Jeanne Moreau). A mulher o acolhe como um animal desprotegido. Bonito seria terminar o filme assim. Mas os anos 70 não aceitavam mais esse tipo de happy end. A euforia de outrora se foi.

O velho cowboy continua procurando emprego junto com o amigo Chet Rollins (Jack Palance) em fazendas cada vez mais distantes. A solidariedade desta dupla, cansada, na meia idade é tocante, e Lee Marvin traz grande calor para uma das performances mais surpreendentes de sua carreira, assim como Jack Palance – ambos têm a chance de desafiar as expectativas em um filme que abraça totalmente o espírito melancólico.

Cabe notar como o western norte- americano dos anos 40 para os anos 70, gradualmente vai se fechando, enquanto o spaghetti estilisticamente busca um campo de expansão. O filme de Fraker traduz essa incorporação, essa investigação do interior. O diretor evita os grandes espaços. Prevalece a composição de planos médios, planos fechados e closes. O registro psicológico e íntimo domina. Não cabe generalizar, mas é curioso que Robert Aldrich e Robert Altman também seguirão essa introspecção em seus faroestes (A Vingança de Ulzana, Quando os Homens São Homens).